terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

"As decisões são solitárias"

Acredito já ter falado da minha pequena resistência às mudanças drásticas...

É até meio incoerente da minha parte, já que acredito muito no poder das mudanças e elas são extremamente necessárias neste mundinho capitalista perverso que vivemos...

Mas como a teimosia do ser a faz resistente aquilo necessário... 

O exercício diário da reflexão interna tem auxiliado muito nestes processos ...

Então...

As decisões foram tomadas... cabeça erguida... orgulhosa de mim e dos meus poderes...

Ouvi estes dias (nem sei onde!)..."as decisões são solitárias"...é verdade...por mais ajuda que pedi...gritei...(não tenho medo de admitir que ainda preciso de ajuda sim!)...a decisão foi entre mim e meu travesseiro... e fui lá e encarei todos os monstros que pareciam enormes e feios (sabe aqueles dos Monstros S.A, pois é?!!!) e os coloquei nos seus devidos lugares... decidi... e nem doeu tanto assim...

Pelo contrário...está sendo um processo gratificante...

Enfim decisões são solitárias sim...mas tomá-las tem gostinho doce de empoderamento interno...

Mas como tudo é processo... as notícias estão sendo dadas nos seus devidos tempos e os movimentos estão sendo realizados respeitando o meu tempo... é isto...

Agora mudando de saco pra mala...

O que são estes "homens" do BBB ... sério? machismo neandertal tem limite... tive minha dose em 2010...quase insuportável...ombros doloridos de tanto peso... mais uma decisão tomada...solitária (com apoio de amigas mais que poderosas!!!!)... mas recompensadora... mas na TV ao vivo em canal aberto...meu jesus!!!!!!!!!!!!!!

Meninas não esqueçam: VOCÊS PODEM!!! EU POSSO...TODO MUNDO PODE...

Não sou uma feminista fervorosa...daquelas que quer acabar com os homens da terra...até pq gosto, né? Mas odeio hipocrisia...enjoa...dá nervoso na barriga... hipocrisia preconceituosa...ui...arrepios de medo...

Educação de Gênero já...na escola...na praça...na igreja...em qualquer lugar... respeito acima de tudo...respeito ao desejo...às vontades...às decisões...(elas são solitárias!!!!!!!!!!!!!!!)...não me venha com seus julgamentos...desejos...são teus...os meus já são de bom tamanho!

Leveza acima de tudo em todas as relações... 

Afinal...já basta as decisões serem solitárias...

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Amigas Super Poderosas...

Amo minhas amigas...e elas são super poderosas sim!

Amo ver elas arrasando nas suas carreiras...

Amo ser cuidada por cada uma do seu jeito...

Amo saber que podemos ir sambar...jantar no beto...se acabar num maracatu...e simplesmente dividir o táxi e descansar o esqueleto... sem esquecer do cavanhas e das fofocas da vida alheia...

Amo por que elas são chiques...

Amo por que elas são únicas...

Amo por que são mulheres poderosas...no sentido mais belo desta palavra ...

Amo por que mesmo a distância elas estão mais presentes do que nunca...

Amo por que amo...amo porque só sei amar inteiro...amo por que sei que aprendo muito com cada uma delas e amo mais ainda por que sei que nos divertimos muito ... cada uma com seu jeito único de caminhar nesta vida...

Avaliação...

Aprendi na vida que avaliação é necessária...

Durante meus anos escolares...fazia no mínimo 3...uma a cada trimestre...qdo não eram 4!!!!!

Sempre levei muito a sério estes momentos de parada...ouvia atenta as colocações de minhas professoras e acreditava que o que dizia/escrevia ali fazia todo o sentido para a minha vida futura...

Na minha profissão ela sempre se fez presente...quando não estava avaliando meus rebentos..estava avaliando o que fazia com eles...logo...

Pensar sobre algo ou alguma coisa sempre foi um exercício cotidiano...

Pq dizer tudo isso?

Bom...estamos no final de 2010...2011 já está arrebentando a porta e cá estou...no meu momento auto avaliação...

sorri...chorei...amei...trabalhei (pra caramba!!!!!!!!!) aprendi...nossa aprendi muitooo...

aprendi que sei amar muito...que sou muito mulher...que sei muito bem do que quero ao meu lado...que meu futuro tô fazendo (e muito bem) agora...que tenho amigos...muitos amigos...e que principalmente eu sei fazer amigos por onde eu passo...que sou rabugenta...que sei ser alegre...que minha família me ama incondicionalmente...que sou forte...muito forte...que sei cuidar muito bem das minhas feridas...e que não há nada que a última roda de maracatu e pé no chão não exorcize...

e o que sobrou pra 2011...

nossa?! tudo isso e muito mais...afinal...sou aprendiz...

não vim pra este mundo pra ditar ordens...vim pra cá...pra ser livre...leve e pra aprender...

preciso aprender a planejar meu dinheirinho...afinal chegar aos lugares nem sempre a pé é possível... preciso estar mais feliz no lugar onde estudo...preciso ler mais...dançar mais...caminhar mais...aceitar meu ócio...me amar mais...amar mais...

e tem mais...muito mais...afinal...tenho 365 dias pra me (re) inventar... (re) criar ...(re) colorir...

e ao final...mais uma roda de maracatu e tudo será exorcizado pra 2012!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Marcas de Dentro

Tem algumas marcas que chegam e trazem lembranças maravilhosas...principalmente aquelas da infância...

Tenho uma bem no meio da minha testa...sou orgulhosa desta...tinha poucos anos, mas a vontade de conseguir o inalcansável era mais forte que qualquer obstáculo e lá fui eu...corajosa...e pronto...testa aberta...pontos e preocupação para a família...

Tem aquelas marcas que chegam sem pedir licença...aquelas que os cirurgiões são obrigados a fazer para tirar o que está incomodando...sou hj um ser sem vesícula e com vários pontinhos na barriga...orgulhosa?..nem tanto...mas necessário...

Mas tem aquelas marcas que estão por dentro...aquelas que chegam sem pedir e que qualquer pessoa possui a capacidade de fazer...marcar por dentro pode às vezes ser dolorido...

Tenho algumas...umas mais cuidadas que outras...

Umas mais recentes e sem forças para olhar pra elas...

Estão ali...por todo o corpo...por dentro...

Quem sabe um dia alguém descubra uma pomadinha que possa curá-las de um jeito mais rápido e talvez olhar pra elas não doa tanto...como agora!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Vida Adulta

Quem disse que todas as decisões são para sempre?

Quem disse que as escolhas precisam ser eternas?

Quem disse que sustentá-las seria fácil?

Quem disse que arcar com as consequeências não ia doer?

Quem disse que a gente é gente grande e não precisa de colo?

Quem?????

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Eu sei, mas não devia.

Hoje fui presenteada pela minha professora com este texto num evento aqui em SB...

Ainda bem que existem pessoas que gostam de compartilhar seus momentos...suas leituras...seus anseios...

Prof. Cristina...obrigada por presentear e me mostrar que se indignar e duvidar continua sendo fundamental...e obrigada por me mostrar que ainda é possível acreditar na docência...e que ser professora é saber dividir...é saber ouvir...é saber que nem sempre sabemos tudo...obrigada por que estes momentos que me fazem ter a certeza de que sim MEU LUGAR É AQUI TB e que desistir só daria forças a quem não merece! (ufa...falei!)


Eu sei, mas não devia
Marina Colasanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(1972)

Marina Colasanti
 nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.

O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.

domingo, 7 de novembro de 2010

Mês da Consciência Negra


Zumbi dos Palmares

Antes de tudo...
Antes de sorrir...
Antes de gritar...
Antes de levantar...
Antes de respirar...
RESPEITO!